Como um erro de expansão levou um sushi brasileiro a faturar R$ 23 milhões em Portugal

A entrada do Grupo Rão em Portugal

O Grupo Rão, uma holding carioca que se destacou como líder no conceito de dark kitchen no Brasil, decidiu expandir suas operações para o exterior, com foco em Portugal. Em 2018, a empresa deu seus primeiros passos na cidade do Porto, trazendo consigo a marca Sushi Rão. A ideia inicial era simples: replicar o modelo de sucesso que havia sido implementado no Brasil, acreditando que o que funcionava no país poderia ser igualmente eficaz em solo português.

Desafios do modelo de dark kitchen

No Brasil, a estrutura de dark kitchen, que se baseia na provisão de serviços principalmente de entrega, permitiu que o Grupo Rão crescesse rapidamente ao diminuir custos fixos e maximizar a eficiência operacional. O conceito fascinou os consumidores locais, levando ao rápido aumento do faturamento. No entanto, a entrada em Portugal revelou que o mesmo modelo não necessariamente funcionaria da mesma forma. Com um mercado diferente e consumidor com características únicas, a empresa enfrentou desafios significativos ao tentar implementar sua estratégia inicial.

Compreendendo o mercado português

O resultado da estratégia inicial foi um “erro de leitura” sobre o comportamento do consumidor português, que se mostrou mais complicado do que o esperado. Ao contrário do Brasil, onde o uso de delivery dominava o cenário, em Portugal a cultura de consumo se apresenta de maneira mais mista, com forte valorização de experiências dentro dos estabelecimentos, além da retirada de pedidos no local (take away). Isso significava que o consumidor português era mais exigente, menos impulsivo e mais cauteloso em relação a novas marcas.

erro de expansão

O erro de leitura do comportamento consumidor

Segundo Guilherme Lemos, sócio do Grupo Rão, a equipe entrou no mercado português com a percepção de que poderiam simplesmente replicar o modelo brasileiro, subestimando a necessidade de adaptação às novas condições. A mudança nas expectativas e hábitos dos consumidores exigiu uma reinvenção da estratégia original. Para prosperar em Portugal, foi necessário abandonar a abordagem de simples reprodução e se reinventar.

Mudanças estruturais na operação

Respondendo a essas dificuldades, o Grupo Rão implementou uma série de mudanças que exigiram uma estrutura mais robusta. Ao invés de se limitar a operações com dark kitchen, a empresa adotou um modelo operacional mais flexível que integrava o salão de atendimento, delivery e take away. Esse novo formato não só diversificou as opções de atendimento, como também incorporou elementos que atraíam o público local, resultando em uma nova dinâmica de interação com os consumidores.

Modelo híbrido: salão, delivery e take away

Esse modelo híbrido emergente não só diversificou as operações do Grupo Rão em Portugal, como também promoveu uma mudança no posicionamento da marca. Ao oferecer suas delícias em um formato mais acessível e interativo, tornou-se possível aumentar a presença da marca em um cenário mais competitivo. A combinação de atendimento presencial, junto com as opções de entrega, possibilitou atrair um público maior e com diferentes preferências, criando uma experiência mais rica e envolvente.

O reposicionamento da marca Sushi Rão

À medida que o Grupo Rão se reestruturou para se alinhar com as expectativas do mercado português, a marca Sushi Rão passou a se posicionar na esfera premium. A associação com um público mais elitizado, incluindo celebridades e influenciadores, ajudou a consolidar a imagem da marca como uma opção sofisticada e desejável para os consumidores. Essa mudança se refletiu não apenas nas operações, mas também na percepção dos consumidores sobre a marca no mercado.

Estratégia de expansão com franqueados

A estrutura de operação em Portugal é baseada na colaboração com franqueados e sócios locais, incluindo tanto brasileiros quanto portugueses. Essa estratégia de expansão, que conta com um investimento médio que varia entre 80 mil e 100 mil euros dependendo da localização, possibilitou que o Grupo Rão aumentasse sua presença no país. Atualmente, a rede conta com 11 operações e há planos de dobrar ou até triplicar a quantidade de unidades nos próximos anos, levando em consideração a demanda e a capacidade de execução.

O faturamento surpreendente em Portugal

O faturamento do Grupo Rão em Portugal foi impressionante, alcançando cerca de R$ 18 milhões em 2025. Através das mudanças estruturais e o reposicionamento da marca, a empresa projetou um crescimento significativo, almejando faturar R$ 23 milhões em 2026, o que representa um aumento substancial e uma validação de sua nova estratégia de atuação no mercado europeu.

Próximos passos na Europa

Com a operação em Portugal se estabilizando, o próximo passo do Grupo Rão é explorar outras oportunidades na Europa, com a Espanha sendo um foco particular. A chave para essa nova fase de expansão será encontrar os parceiros certos para ampliar o alcance da marca, aproveitando o modelo já testado e ajustado em Portugal. O que parecia um erro estratégico no início desta jornada se transformou em um aprendizado valioso, permitindo ao Grupo Rão solidificar sua presença no território europeu e construir um caminho sólido para o crescimento futuro.