‘Falar em monopólio é um absurdo’, diz CEO da Petz Cobasi sobre fusão

O impacto da fusão no mercado pet brasileiro

A fusão entre Petz e Cobasi, duas das principais redes de varejo de produtos para animais de estimação no Brasil, marca o início de uma nova era para o setor. Com essa união, o grupo se posiciona de forma significativa em um mercado que, segundo estimativas, movimenta cerca de R$ 78 bilhões, sendo que a atuação combinada das duas empresas representa aproximadamente 10% dessa fatia.

De acordo com Paulo Nassar, CEO do grupo resultante da fusão, a preocupação com a concentração de mercado não faz sentido, considerando que cerca de 50% do setor pet brasileiro é dominado por pet shops independentes. Essa divisão indica um mercado ainda bastante fragmentado e com espaço para um crescimento saudável e sustentável.

Desmistificando a ideia de monopólio

A ideia de monopólio frequentemente surge em discussões sobre fusões e aquisições, especialmente quando duas grandes empresas se unem. No entanto, Nassar discorda veementemente dessa visão, argumentando que a vasta presença de estabelecimentos independentes garante uma concorrência acirrada e um ambiente favorável à diversidade de opções para o consumidor. “Dizer que estamos criando um monopólio é um absurdo”, afirma.

monopólio

O estado atual do mercado evidencia a pulverização das pet shops, uma vez que milhares de pequenas lojas ainda operam e oferecem produtos e serviços para os tutores de animais de estimação. Esse cenário propicia um espaço fértil para que novos empreendedores possam emergir mesmo em um setor já consolidado, aproveitando nichos e necessidades específicas.

Estrategias de crescimento para 2026

Para o ano de 2026, a Petz Cobasi não está focada apenas em expandir seu número de lojas; o principal objetivo será a integração das operações. Nassar destaca que a fusão é um momento de transformação cultural e operacional, não apenas um aumento no número de estabelecimentos. Alinhar equipes, culturalmente e operacionalmente, é a chave para transformar essa fusão em um verdadeiro sucesso.

As expectativas são de que entre 10 e 13 novas unidades sejam inauguradas ao longo do ano. Em comparação, no ano anterior, a junção das duas redes resultou na abertura de 15 novas lojas. Essa abordagem mais conservadora do crescimento reflete a intenção do grupo de garantir que cada nova unidade agregue valor real e não apenas amplie a presença física.

A importância da tecnologia no varejo pet

No mundo atual, a tecnologia desempenha um papel central em praticamente todos os setores, e o varejo pet não é exceção. A companhia vem investindo fortemente em suas operações digitais, um movimento que se mostrou crucial, especialmente durante a pandemia. Antes do surto, o comércio eletrônico correspondia de 12% a 15% das vendas; hoje, essa porcentagem supera 40% do faturamento total.

A adoção de tecnologia começou em 2016, permitindo que a empresa se preparasse para as mudanças comportamentais dos consumidores, que buscavam alternativas de compra mais convenientes durante o isolamento social. Nassar afirmou que essa agilidade em se adaptar ao digital possibilitou à Petz Cobasi capturar novos clientes e oferecer uma experiência de compra inovadora.

Cultura organizacional: desafios da integração

Um dos maiores desafios em uma fusão de grandes empresas é a integração cultural. Cada rede possui uma identidade própria que precisa ser respeitada enquanto se estabelece uma nova cultura organizacional comum. Nassar enfatiza que o sucesso dessa integração será fundamental para que o grupo alcance suas metas. A diversidade de experiências e a maneira como as equipes operam atualmente precisam ser harmonizadas para otimizar a experiência do cliente e os processos internos.

Panorama econômico e suas influências

O cenário econômico atual também apresenta desafios para o varejo como um todo. Nassar observa que fatores como a Copa do Mundo e as eleições presidenciais podem impactar o fluxo de consumidores nas lojas, tornando o ambiente de compras mais cauteloso. Apesar dessas preocupações, o CEO acredita na resiliência do setor pet, reafirmando que o cuidado com animais de estimação é uma prioridade na vida das pessoas, independentemente das cir­cunstâncias econômicas.

Tendências de adoção e abandono de animais

Após a explosão da adoção de animais durante a pandemia, a tendência de abandono tem se tornado um assunto preocupante para o setor. Com o retorno ao trabalho presencial, muitos tutores têm optado por abandonar os pets que adotaram em tempos de isolamento. Esta realidade impacta diretamente o setor, exigindo que as empresas não apenas aumentem a adoção, mas também desenvolvam iniciativas para proteção e apoio a animais abandonados.

O papel das marcas próprias na fusão

No panorama atual, o avanço das marcas próprias é um foco estratégico importante. As marcas próprias já representam 14% das vendas da Petz e 8% da Cobasi. A fusão proporciona a oportunidade de expandir ainda mais essas ofertas, criando produtos exclusivos que aumentam as margens de lucro e a lealdade dos clientes.

As categorias de produtos em que o grupo já está atuando incluem alimentos premium, produtos de higiene e beleza, além de acessórios e itens sazonais. Este impulsionamento no portfólio não só atende às necessidades do mercado, mas também melhora a posição competitiva das duas redes.

A visão social do novo grupo

O compromisso social das empresas também é uma prioridade. Iniciativas integradas, como os programas Cobasi Cuida e Adote Petz, são exemplos do empenho do grupo em promover a adoção responsável e proteger os direitos dos animais. Com mais de 132 mil animais adotados e apoio a mais de 320 ONGs, a empresa busca ter um impacto positivo na sociedade, além de apenas expandir suas operações.

Expectativas e resultados para 2025

Em relação aos resultados financeiros, as duas empresas apresentam um desempenho robusto. Em 2025, a Cobasi registrou um lucro líquido ajustado de R$ 41 milhões, enquanto a Petz reportou R$ 25,9 milhões. Apesar de um período desafiador devido às despesas associadas à fusão, ambas as empresas mantiveram um crescimento operacional positivo, refletindo a resiliência do setor e a estratégia focada em integração.

Com a fusão em operação sob a holding União Pet Participações S.A., a expectativa é capturar sinergias significativas nos próximos anos. As metas delineadas estabelecem um crescimento contínuo com base na inovação e no fortalecimento da marca, visando criar o principal ecossistema de produtos e serviços para pets na América Latina.