‘Nem todo o agro está feliz’, diz CEO de vinícola sobre o acordo entre Mercosul

A Visão do CEO sobre o Acordo Mercosul-UE

No podcast “De frente com CEO”, Cláudio Góes, que é o presidente do Grupo Góes e da Anprovin, expressa preocupações sobre o impacto do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia no setor vitivinícola brasileiro. Ele afirma que este acordo, que promete reduzir tarifas de importação, pode trazer benefícios para alguns, mas não para todos. Segundo ele, “Nem todo o agro está feliz”, destacando que as vinícolas brasileiras podem enfrentar desvantagens significativas em relação à competitividade das importações.

Góes argumenta que, enquanto a globalização oferece novas oportunidades, é vital que o Brasil assegure melhores condições para os seus produtos, especialmente em um contexto onde a competitividade está se intensificando com a entrada de vinhos europeus no mercado brasileiro. Ele enfatiza que a indústria vitivinícola brasileira precisa de condições justas para competir, caso contrário, os produtores nacionais estarão em desvantagem.

Implicações para o Setor Vitivinícola

Embora o acordo entre Mercosul e União Europeia busque facilitar comércio e investimento, as implicações para o setor de vinhos estão longe de serem claras. Cláudio Góes observa que não existe uma avaliação precisa sobre como o acordo afetará o setor no longo prazo. Ele apenas prevê um aumento da concorrência no mercado, que pode ser desafiador para os vinicultores locais que já enfrentam dificuldades. Ele menciona que outros setores agropecuários podem se beneficiar com a redução de tarifas, mas o vinho, que é um produto que requer investimentos e tempo para crescer, poderá ter mais complicações com a injeção de produtos importados.

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O Papel da Sucessão Familiar nos Negócios

Cláudio Góes representa a quarta geração da família na indústria vitivinícola, e ele reflete sobre como a sucessão familiar moldou as perspectivas e desafios que enfrentam. Ele menciona que a gestão profissional da empresa se tornou uma prioridade, e essa abordagem é necessária para navegar em um mercado tão competitivo. A seu ver, a continuidade do legado familiar implica não só em preservar tradições, mas também em inovar e se adaptar aos desafios contemporâneos do setor.

Desafios do Vinho Brasileiro

O setor vitivinícola no Brasil enfrenta uma série de obstáculos que vão além da nova concorrência. Um dos principais desafios é o baixo consumo per capita de vinho, que permanece em apenas 2 litros por ano. Isso contrasta fortemente com o consumo em países europeus e até de vizinhos como Chile e Argentina. Esta diferença torna mais difícil para produtores brasileiros se estabelecerem em um mercado onde o consumo interno é tão modesto.

Importância da Competitividade no Setor

A competitividade é uma questão central para a sobrevivência das vinícolas brasileiras. Góes destaca a necessidade de melhorar a estrutura da indústria para que ela possa competir em condições iguais com os importados. A ênfase em isonomia fiscal e tributária é vital, já que tributações diferentes entre vinhos e outras bebidas frequentemente favorecem produtos importados. Além disso, questões como descaminho e contrabando também assombram o mercado, prejudicando a competitividade da produção nacional.

Visão Geral da Produção de Vinho no Brasil

Mais de 90% da produção de vinho no Brasil está concentrada no estado do Rio Grande do Sul, e a indústria tem demonstrado avanços em qualidade e inovação. A produção de cerca de 7 milhões de litros por ano faz do Grupo Góes um representante significativo deste setor em ascensão. Com uma história que remonta à década de 1930, a vinícola não só se firmou no mercado como também se dedicou ao turismo vinícola, expandindo sua atuação para além da produção, ao oferecer experiências completas aos consumidores.

O Que Está em Jogo para o Vinho Nacional

O futuro do vinho brasileiro está intrinsecamente ligado às decisões políticas e econômicas do país. As expectativas em relação ao acordo Mercosul-UE indicam que o setor pode enfrentar crescente concorrência, o que exige uma reavaliação das estratégias de mercado. Cláudio Góes acredita que, para o vinho brasileiro se firmar na cena internacional, ele precisará se destacar pela qualidade e pela experiência que oferece.

Experiências com Enoturismo em São Roque

São Roque, a apenas 60 quilômetros de São Paulo, emergiu como um importante polo de enoturismo, combinando a produção de vinhos com gastronomia e experiências turísticas. Isso representa uma estratégia da indústria de vinhos para criar valor agregado, atraindo não apenas consumidores, mas também turistas interessados em compreender mais sobre a cultura do vinho. Este movimento não apenas beneficia os produtores locais, mas também impacta positivamente a economia da região.

Reforma Tributária e seu Impacto no Vinho

A reforma tributária é um ponto crucial no debate sobre a competitividade do vinho brasileiro. Cláudio Góes enfatiza a necessidade de uma revisão nas taxas do ICMS que incidem sobre o vinho em comparação a outras bebidas, uma questão que, se solucionada, pode melhorar a condição competitiva do vinho nacional. Ele argumenta que o setor deve ser reconhecido como uma parte importante do desenvolvimento social e econômico do Brasil, e não apenas como um produto de consumo.

Expectativas para o Futuro do Vinho Brasileiro

O futuro do vinho no Brasil é promissor, mas não sem desafios. A análise da produção e a adaptação às novas realidades do mercado, incluindo acordos internacionais, são cruciais para a sustentabilidade do setor. Cláudio Góes reflete sobre o papel que o vinho pode desempenhar não só na economia, mas também na cultura e tradição brasileira. Ele espera que, com uma abordagem mais colaborativa entre governo e produtores, o vinho brasileiro possa converter seus desafios em oportunidades, solidificando seu espaço no mercado nacional e internacional.