NRF 2026: os temas que devem guiar o varejo, por Alejandro Vázquez, da Nuvemshop

A trajetória do e-commerce em 2026

O comércio eletrônico tem passado por uma transformação notável nos últimos anos, e em 2026, essa evolução se torna evidente. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce brasileiro deve faturar mais de R$ 258 bilhões, superando os números de anos anteriores. Essa trajetória de crescimento está diretamente ligada ao comportamento do consumidor, que torna-se cada vez mais exigente e criterioso. O consumidor atual não é apenas um comprador; ele é um pesquisador, um avaliador e um crítico. Sua jornada de compra envolve não apenas a busca pelo preço mais baixo, mas uma análise profunda da qualidade, da autenticidade e da experiência que a marca pode oferecer.

O avanço tecnológico, especialmente com a integração da inteligência artificial, permitiu que varejistas online reagissem rapidamente às mudanças nas demandas do consumidor. Plataformas de e-commerce estão se tornando mais interativas e responsivas, utilizando análise de dados para entender os hábitos de compra e personalizar a experiência do cliente. Isso significa que, em 2026, o foco não está apenas em vender um produto, mas em construir um relacionamento sólido com o cliente.

Além disso, a ascensão do mobile commerce (m-commerce) é uma tendência que não pode ser ignorada. A cada ano, um número crescente de consumidores usa dispositivos móveis para realizar compras. Isso requer que as empresas otimizem suas plataformas para garantir que a experiência do usuário seja fluida, independentemente do dispositivo que estiverem utilizando.

venda no varejo

Com o aumento da concorrência e a saturação do mercado, as empresas precisam estar atentas às inovações e às expectativas dos consumidores. O e-commerce de 2026 é mais desafiador, mas também mais excitante. Marcas que investem em tecnologia, treinamento de equipe, e estratégias de marketing orientadas por dados têm uma chance maior de se destacar e prosperar nessa nova era.

Desafios do varejo contemporâneo

À medida que o varejo evolui, novos desafios surgem. Em 2026, o ambiente de negócios exige que os varejistas se adaptem a um cenário econômico em constante mudança, marcado por inflação, condições de crédito alteradas e uma oferta cada vez maior de produtos. Os consumidores estão mais informados do que nunca, utilizando a tecnologia para comparar produtos e preços em tempo real, o que eleva o nível de exigência estabelecido pelas marcas.

Um dos principais desafios enfrentados pelos empresários é a necessidade de se diferenciar. A saturação do mercado gerou uma competição intensa, fazendo com que as margens de lucro se tornassem mais apertadas. Além disso, os consumidores tornaram-se mais criteriosos, buscando o verdadeiro valor de cada compra. Assim, a frase “crescer a qualquer custo” já não se aplica mais e tornou-se essencial que as empresas revejam suas estratégias, priorizando a agregação de valor aos seus produtos e serviços.

Adicionalmente, há a questão das expectativas em relação à experiência do cliente. Com o aumento do comércio eletrônico, os consumidores esperam um atendimento ao cliente excepcional, desde o primeiro contato até o pós-venda. As empresas que não conseguem atender a essas expectativas correm o risco de perder clientes para concorrentes que oferecem melhores experiências de compra.

Outro desafio significativo é a implementação de tecnologia. Embora ferramentas como a inteligência artificial prometam eficiência, muitas empresas ainda lutam para integrar essas soluções em suas operações diárias. Isso não se deve à falta de tecnologia, mas sim à falta de maturidade na execução e no alinhamento entre pessoas, processos e objetivos corporativos.

A importância da eficiência operacional

Eficiência operacional é um tema central para o varejo em 2026. Com a pressão econômica crescente e a necessidade de melhorar a produtividade, as empresas que não conseguem otimizar seus processos enfrentarão sérias dificuldades. Reduzir desperdícios e simplificar operações se tornou não apenas uma prática recomendada, mas uma verdadeira questão de sobrevivência no mercado atual.

Ao adotar uma abordagem focada em eficiência operacional, as empresas podem não apenas minimizar custos, mas também melhorar a experiência do cliente e aumentar as margens de lucro. A utilização de softwares de gestão, automação de processos e análise de desempenho são fundamentais para identificar áreas que requerem melhoria e para garantir que a operação funcione na máxima capacidade.

Além disso, a eficiência operacional permite que as marcas se adaptem rapidamente às tendências de mercado e mudem suas estratégias de acordo com as novas demandas dos consumidores. Aqueles que não conseguem acelerar sua capacidade de resposta provavelmente perderão terreno para concorrentes mais ágeis e inovadores.

Portanto, a eficiência operacional não é apenas uma escolha; é uma exigência estratégica para aqueles que desejam prosperar em um ambiente de varejo competitivo e em constante mudança. Companhias que priorizam a eficiência irão colher os frutos não só em termos financeiros, mas também na construção de relacionamentos duradouros com seus clientes.

A busca por fidelidade do cliente

No contexto de vendas e varejo, a fidelidade do cliente está emergindo como um dos aspectos mais críticos para a sustentabilidade dos negócios em 2026. Anteriormente, as empresas focavam intensamente em adquirir novos clientes, utilizando estratégias de marketing agressivas e subsídios para conversão. Contudo, esse modelo se mostra cada vez mais insustentável em um ambiente onde o retorno sobre investimento precisa ser mais bem calculado.

A fidelidade não é apenas uma variável emocional; torna-se um elemento econômico claramente mensurável. Clientes leais tendem a gerar receitas recorrentes, estabilizá-las e oferecer dados valiosos sobre comportamento de compra e preferências. Isso, por sua vez, permite às empresas tomar decisões mais informadas sobre precificação, portfólio de produtos e estratégias de marketing.

As marcas que conseguem cultivar um relacionamento de longo prazo com os consumidores veem-se em uma posição privilegiada no mercado. Além disso, empresas que investem em programas de fidelidade, recompensas e um excelente atendimento ao cliente têm uma taxa de retenção significativamente maior, o que é crucial para a sobrevivência em um cenário onde os custos de aquisição estão se tornando mais altos.

Assim, a busca pela fidelidade do cliente em 2026 envolve um entendimento profundo e contínuo das expectativas dos consumidores, bem como a criação de experiências personalizadas que os façam sentir-se valorizados. Em última análise, as marcas que se destacarem nesse aspecto estarão preparadas para enfrentar as turbulências do mercado e assegurar um futuro promissor.

Inteligência artificial como aliada

A incorporação da inteligência artificial (IA) nos processos de vendas e operações e-commerce está desbravando novas possibilidades e oportunidades em 2026. A IA não é apenas uma tecnologia promissora; ela se tornou uma ferramenta obrigatória para as empresas que desejam se manter competitivas. Desde a automação de processos operacionais até a personalização da experiência do cliente, suas aplicações são vastas e impactantes.

Uma das principais vantagens da IA é sua capacidade de coletar e analisar dados em tempo real. Com isso, as empresas podem tomar decisões informadas com base em padrões de comportamento do consumidor, permitindo uma abordagem mais proativa na oferta de produtos e serviços. Isso resulta em ofertas personalizadas que atendem diretamente às necessidades e desejos dos clientes.

Além disso, a automação de tarefas repetitivas permite que as equipes se concentrem em atividades estratégicas em vez de operações rotineiras. Isso não apenas aumenta a produtividade, mas também melhora a moral da equipe, já que ela pode se embrenhar em tarefas que acrescentam mais valor ao negócio.

No entanto, a adoção de IA traz consigo desafios significativos. Empresas devem estar preparadas para não apenas implementar a tecnologia, mas também para alinhá-la com suas estratégias e culturas organizacionais. A verdadeira eficácia da IA será alcançada apenas quando as empresas souberem integrá-la de forma harmoniosa com seus processos existentes, o que muitas vezes requer mudanças profundas na forma como o trabalho é realizado.

O uso de IA está se expandindo rapidamente no varejo e, em 2026, as marcas que abraçarem essa tecnologia e a utilizarem de maneira eficaz estarão à frente de seus concorrentes.

Modelos de negócios D2C em ascensão

Os modelos de negócios direto ao consumidor (D2C) estão crescendo em popularidade e relevância no varejo moderno. Ao optar por interagir diretamente com os consumidores finais, as empresas eliminam intermediários e têm um maior controle sobre a experiência do cliente, o que é fundamental para construir fidelidade e confiança. Essa mudança no paradigma de vendas não só otimiza a cadeia de suprimentos, mas também proporciona acesso a dados valiosos sobre os consumidores.

O modelo D2C permite que as marcas testem propostas de valor de maneira ágil e ajustem suas ofertas com base no feedback direto dos clientes. Isso se traduz em produtos mais relevantes e campanhas de marketing mais eficazes. A interação direta facilita a personalização, algo que os consumidores de 2026 levam em conta na hora de fazer uma compra. Eles querem sentir que suas preferências e necessidades individuais estão sendo abordadas.

Outro aspecto importante do modelo D2C é a capacidade de construir uma comunidade em torno da marca. As empresas conseguem criar um espaço onde os consumidores se sentem valorizados e ouvidos, o que contribui enormemente para a lealdade à marca. Um cliente que se sente parte de uma comunidade é mais provável que retorne e recomende a marca a outros.

No entanto, as empresas que buscam operar sob o modelo D2C devem estar cientes de suas responsabilidades. O sucesso nesse modelo exige investimentos significativos em marketing digital, análise de dados e suporte ao cliente, além de uma atenção constante às expectativas dos consumidores. O gerenciamento eficaz do atendimento ao cliente se torna ainda mais crucial, pois cada interação direto a ele tem o potencial de moldar a percepção da marca.

O futuro das lojas físicas no varejo

Embora o comércio eletrônico esteja em ascensão, as lojas físicas continuam a desempenhar um papel vital no ecossistema de vendas em 2026. No entanto, elas estão passando por uma transformação significativa. Em vez de serem focadas unicamente na transação, as lojas estão se tornando centros de experiência, serviço e relacionamento. Essa mudança redefine como as empresas projetam e gerenciam seus espaços físicos.

Hoje, os consumidores não visitam lojas apenas para comprar; eles buscam uma experiência única. Por isso, oferecer um ambiente que promove o engajamento e a interação é fundamental. As empresas que investem em personalização e experiência do cliente em suas lojas têm uma chance maior de atrair e reter consumidores.

As lojas também estão cada vez mais integradas a plataformas de e-commerce por meio do conceito de omnichannel. Isso significa que os consumidores devem poder transitar suavemente entre canais online e offline, sem fricções. As compras online seguidas pela retirada em loja, ou o retorno de produtos comprados online nas lojas físicas, tornaram-se práticas comuns e esperadas.

Além disso, a tecnologia também está moldando o futuro das lojas físicas. A implementação de ferramentas de inteligência artificial pode proporcionar uma experiência ainda mais personalizada, permitindo recomendações e promoções em tempo real com base no comportamento do consumidor. Como resultado, as lojas estarão mais interativas e responsivas às necessidades dos clientes, complementando a experiência digital.

Experiência de compra e omnichannel

A experiência de compra tornou-se o centro da estratégia de vendas em 2026. A capacidade de fornecer uma experiência significativa e positiva é fundamental para a retenção do cliente e o sucesso da marca. No cenário atual, o consumidor espera não apenas produtos de qualidade, mas também interações memoráveis e práticas facilitadas que o conduzam sem dificuldades ao longo de sua jornada de compra.

A prática de compras omnichannel é um componente-chave dessa experiência. Ela se baseia na integração perfeita entre todos os canais de venda, sejam físicos ou digitais. Isso não apenas garante que os consumidores possam fazer compras de forma conveniente e sob suas próprias condições, mas também permite que as marcas mantenham um relacionamento contínuo com seus clientes.

As empresas que dominam a experiência omnichannel são capazes de entender os comportamentos dos consumidores em diferentes plataformas e adaptar sua abordagem conforme necessário. Por exemplo, elas podem usar dados coletados de interações online para oferecer promoções personalizadas quando um cliente visita a loja física. Essa relação entre canais não apenas melhora a experiência do cliente, mas também impulsiona as vendas.

Para proporcionar uma experiência de compra excepcional em um ambiente omnichannel, é crucial ter uma comunicação clara e coerente entre todos os pontos de contato com o cliente. Além disso, o uso de tecnologia, como aplicativos móveis e chatbots, pode facilitar ainda mais a interação e o acesso a informações sobre produtos, proporcionando um suporte eficiente sem complicações.

O valor percebido na decisão de compra

O conceito de valor percebido é um elemento central na decisão de compra do consumidor em 2026. A relação custo-benefício não é mais apenas uma questão numérica; trata-se de como o consumidor percebe o valor do produto ou serviço em relação às suas expectativas e necessidades.

Os consumidores estão dispostos a pagar mais por um produto se sentirem que ele resolve um problema específico ou agrega valor à sua vida de alguma forma. Isso significa que as marcas precisam comunicar ativos diferenciais de seus produtos e oferecer um entendimento claro de como eles se destacam da concorrência.

Além disso, o valor percebido envolve não apenas o produto em si, mas também a experiência que o consumidor tem ao longo de toda a jornada de compra. Isso inclui interações com a marca, o atendimento ao cliente, o processo de entrega e até mesmo a experiência pós-compra. Um cliente satisfeito em todas essas etapas é mais propenso a ver mais valor na sua compra, o que, por sua vez, leva a um aumento nas taxas de fidelização.

Outra dimensão vital do valor percebido é a transparência. Em um mundo onde a informação é amplamente acessível, os consumidores esperam clareza sobre a origem dos produtos, as práticas de produção e os valores da empresa. Quanto mais transparente uma marca for sobre sua operação e seus valores, mais forte será o vínculo de confiança estabelecido com seus consumidores.

Preparando-se para o varejo sustentável

O varejo sustentável é uma tendência crescente que se solidificará cada vez mais em 2026. Consumidores estão se tornando mais conscientes sobre suas escolhas de consumo e as consequências para o planeta. As marcas que desejam se manter relevantes precisam considerar práticas sustentáveis em sua operação e se comunicar com seus clientes sobre esses esforços.

Sustentabilidade abrange uma multiplicidade de aspectos, desde a escolha de materiais e métodos de produção, até ações em relação à gestão de resíduos e redução da pegada de carbono. Além disso, o valor das práticas sustentáveis não é apenas percebido pelo consumidor, mas pode constituir um diferencial competitivo significativo diante de um público cada vez mais consciente.

A adoção de práticas sustentáveis também pode impactar positivamente a imagem da marca e reforçar a confiança dos consumidores. Quando uma empresa demonstra um compromisso genuíno com a sustentabilidade, isso não apenas atrai clientes conscientes, mas também potencializa o engajamento da equipe, uma vez que os colaboradores se sentem motivados a fazer parte de uma iniciativa significativa.

Contudo, o caminho para a sustentabilidade requer um planejamento cuidadoso e um alinhamento com as expectativas dos consumidores. Além disso, empresas precisam ser sinceras e transparentes em suas comunicações sobre seus esforços em sustentabilidade, evitando ações que possam ser vistas como greenwashing, ou seja, a prática de enganar consumidores promovendo uma imagem ambientalmente amigável.