O Que é a Gomo Coop?
A Gomo Coop é um exemplo inovador de mercado cooperativo, que surgiu no centro de São Paulo. A proposta desse modelo é engajar a comunidade local em um sistema de compra que é, na verdade, um esforço coletivo. Ao entrar na cooperativa, o cliente não é apenas um consumidor; ele se torna um cooperante, ou seja, um membro ativo da operação do mercado. Isso significa que, além de realizar suas compras, ele pode participar de atividades como reabastecer prateleiras, ajudar na limpeza e até mesmo atender no caixa.
O modelo cooperativo é cuidadosamente estruturado para proporcionar aos cooperantes acesso a produtos de qualidade, predominantemente orgânicos e livres de agrotóxicos, a preços mais justos. Para se tornar um membro da Gomo Coop, é necessário pagar uma cota de adesão de R$ 100. Esse valor não é apenas um investimento financeiro, mas simboliza o compromisso do cooperante com a comunidade e com a operação do mercado.
Após a adesão, o cooperante se compromete a dedicar um mínimo de três horas de trabalho a cada 28 dias, o que, em essência, ajuda a manter os custos operacionais baixos. A ideia fundamental é que, ao trabalharem juntos, os cooperantes conseguem criar um ambiente de cooperação que reduz os preços dos produtos para todos, criando uma economia circular que beneficia a comunidade.

Como Funciona o Modelo Cooperativo
O funcionamento de um mercado cooperativo como a Gomo Coop é bastante diferente do que estamos acostumados em supermercados tradicionais. Aqui, não há uma hierarquia fixa entre patrão e empregado; todos estão no mesmo nível, colaborando em prol de um objetivo comum. A estrutura organizacional da Gomo Coop é horizontal, o que significa que todos têm voz nas decisões tomadas, contribuindo para um ambiente de trabalho mais inclusivo e participativo.
A entrada na cooperativa é marcada por uma reunião de boas-vindas, na qual novos cooperantes são apresentados ao funcionamento do mercado. Após isso, eles são responsáveis por agendar seus turnos de trabalho, que podem incluir várias tarefas, desde a organização do estoque até o atendimento ao cliente.
Contudo, o mercado também é acessível ao público em geral, que pode comprar produtos, mas a preços um pouco mais altos do que os oferecidos aos cooperantes. Esta estratégia visa não só garantir uma base de capital para o funcionamento do mercado, mas também engajar mais pessoas no modelo cooperativo, que, esperançosamente, se tornem cooperantes no futuro.
Vantagens de Ser um Cooperante
Participar da Gomo Coop oferece diversas vantagens que vão além do simples ato de comprar. Primeiramente, os cooperantes têm acesso a produtos de alta qualidade, que são selecionados com cuidado para manter um padrão elevado, especialmente no que diz respeito a alimentos orgânicos e sustentáveis.
Além disso, a estrutura cooperativa promove um senso de comunidade e pertencimento. Os cooperantes não são apenas consumidores; eles se tornam parte de uma rede de pessoas que compartilham valores semelhantes, como o respeito ao meio ambiente e a valorização do comércio justo.
Outro ponto positivo é o acesso a preços mais baixos. Graças ao trabalho coletivo, o mercado pode reduzir seus custos operacionais e repassar essas economias aos cooperantes, que podem comprar produtos a preços mais acessíveis. Adicionalmente, cooperantes têm um poder de decisão nas reuniões anuais, onde são discutidas questões como a direção futura do mercado, a seleção de produtos e as estratégias de marketing.
Desafios Enfrentados pelo Mercado
Embora o modelo de mercado cooperativo traga diversas vantagens, ele também enfrenta desafios significativos. Um dos principais obstáculos é a necessidade de engajamento contínuo dos cooperantes. Afinal, para que o funcionamento do mercado se mantenha, é imprescindível que os membros se comprometam com suas responsabilidades.
Além disso, a Gomo Coop, assim como outras cooperativas, pode enfrentar dificuldades em atrair novos membros e manter um número adequado de cooperantes ativos. A necessidade de trabalho colaborativo pode ser vista como um entrave para muitos, que preferem a conveniência de um supermercado tradicional, onde não é necessário se envolver nas operações do dia a dia.
Outro desafio é a gestão do conflito. Em um modelo em que todos têm voz e voto, pode haver desentendimentos entre cooperantes sobre a direção da cooperativa, a escolha de produtos e outras questões. Isso requer habilidades de mediação e compromisso de todos os envolvidos para manter um ambiente harmonioso e produtivo.
História do Cooperativismo em São Paulo
O cooperativismo no Brasil tem raízes profundas, mas em São Paulo, ele tomou forma de maneira mais significativa ao longo do século XX. A ideia de colaboração e autossuficiência se espalhou pela cidade, com a fundação de diversas cooperativas que operavam em setores como agricultura, crédito e consumo.
Desde a década de 1980, o cooperativismo ganhou um novo impulso, em grande parte devido ao aumento da conscientização sobre questões relacionadas à sustentabilidade e consumo ético. As pessoas começaram a buscar formas alternativas de economia que não apenas beneficiassem seus interesses individuais, mas também as comunidades em que estavam inseridas.
Com a inauguração da Gomo Coop, um dos primeiros mercados cooperativos do Brasil, essa prática ganhou novos contornos. Inspirados em modelos de mercados cooperativos exitosos pelo mundo, como o Park Slope Food Coop, em Nova York, os idealizadores da Gomo possuem um objetivo claro: transformar o conceito de compra em uma experiência comunitária.
Comparativo com Mercados Cooperativos no Exterior
Comparar a Gomo Coop com mercados cooperativos estabelecidos em outras partes do mundo fornece uma perspectiva interessante. Em cidades como Nova York, Paris e Madri, os mercados cooperativos já são uma norma há décadas, oferecendo modelos consagrados de sucesso que podem servir como guia para novos empreendimentos como a Gomo.
O Park Slope Food Coop, por exemplo, é uma das mais antigas e respeitáveis cooperativas de consumidores dos EUA, com uma história que data de mais de cinco décadas. Este mercado recebe aproximadamente 16 mil membros, que se tornam ativos em suas operações diárias. Apesar de enfrentar desafios, como conflitos internos e alta demanda, ele provou ser um modelo sustentável que agrega valor à comunidade.
Na Europa, o contexto é semelhante. Cooperativas de consumo na França e na Espanha têm mostrado que o sucesso do cooperativismo depende não apenas de um bom planejamento financeiro, mas também do engajamento social e comunitário. O que a Gomo Coop procura fazer em São Paulo é replicar esse engajamento, adaptando-se às próprias necessidades e características da comunidade local.
O Papel da Comunidade na Gomo Coop
A comunidade é o coração da Gomo Coop. De fato, a proposta de um mercado cooperativo só faz sentido se houver uma forte adesão da comunidade local. Os cooperantes não são apenas membros que compram produtos; eles são ativos na construção do espaço, nas decisões e no fortalecimento dos laços sociais.
Por meio da participação em atividades e assembleias, os cooperantes têm a oportunidade de influenciar a direção do mercado e seus objetivos. Essa participação ativa educa os membros sobre as operações do mercado, habilidades de gestão e a importância do consumo consciente.
Além disso, as interações diárias entre os cooperantes criam um senso de pertencimento que é difícil de replicar em um ambiente de mercado tradicional. Isso não só enriquece a experiência de compra, mas também fomenta um espírito de solidariedade, essencial para o sucesso de projetos cooperativos.
O Futuro do Mercado Cooperativo no Brasil
O futuro do mercado cooperativo no Brasil parece promissor, especialmente com o crescente interesse por práticas sustentáveis e consumo ético. O modelo da Gomo Coop é um reflexo de uma mudança cultural que busca mais do que simplesmente a transação comercial; busca criar um sistema que valorize a cooperação, a transparência e a justiça.
Com o aumento da conscientização sobre questões ambientais e sociais, as cooperativas têm um papel fundamental a jogar, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas. A Gomo Coop, portanto, representa não só uma alternativa de compra mais justa, mas também um movimento que pode inspirar outras iniciativas cooperativas por toda a cidade e países afora.
Além disso, à medida que mais pessoas se tornem críticas em relação aos métodos de produção e distribuição de alimentos, as cooperativas oferecem um espaço onde podem exercer influência e promover mudanças significativas.
Impacto Econômico e Social da Gomo Coop
O impacto econômico e social de uma iniciativa como a Gomo Coop vai além das simples transações financeiras. Como uma cooperativa, a Gomo não somente proporciona produtos de qualidade a preços reduzidos, mas também gera emprego e fomenta a inclusão social, ao oferecer uma plataforma onde cada membro pode contribuir.
Através do trabalho coletivo, os cooperantes não só têm acesso a um ambiente de compras diferentes, mas também a uma rede de apoio e aprendizado. Essa troca de conhecimentos e experiências enriquece a vida do cooperante e fortalece a comunidade, criando um círculo virtuoso de um consumo mais consciente.
O aspecto social da Gomo Coop também abre um espaço para discutir questões mais amplas, como desigualdade e exclusão. O modelo cooperativo permite que pessoas de diferentes origens sociais se unam em torno de um objetivo comum, promovendo uma maior equidade e justiça social.
Depoimentos de Cooperantes e Idealizadores
Os depoimentos dos cooperantes e idealizadores da Gomo Coop são fundamentais para entender a essência desse mercado cooperativo. Os cooperantes frequentemente relatam uma sensação de pertencimento e satisfação ao fazer parte de um projeto que vai além das compras. Para muitos, a experiência de trabalhar em equipe, realizar tarefas manuais e contribuir com a comunidade traz um senso de realização.
Os idealizadores, por sua vez, ressaltam a importância de criar um modelo que não apenas ajuda a reduzir custos, mas também forma cidadãos mais conscientes e engajados. Eles enfatizam que a Gomo Coop é um processo contínuo de aprendizado e adaptação, e que cada cooperante tem um papel importante nesse desenvolvimento.
As histórias pessoais de cooperantes muitas vezes incluem transformações significativas em suas visões de consumo e de sociedade. De pessoas que antes se sentiam alienadas em supermercados tradicionais, muitos agora se sentem empoderados e conectados a uma rede de pessoas que compartilham seus valores.

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