A Infância de Rui em Ilhota
Rui Gonçalves nasceu em Barranco Alto, uma área rural de Ilhota, Santa Catarina, onde sua infância foi marcada por dificuldades. Vivi em uma casa que carecia de eletricidade e água encanada, e o banheiro era externo. Para ir à escola, Rui enfrentava a travessia de um rio utilizando uma bateira, um pequeno bote feito de madeira. Seus tênis eram colocados em um saco plástico para evitar sujeira e, ao chegar do outro lado do rio, lavava os pés e vestia um par de conga, caminhando cerca de três quilômetros até a escola.
Desse contexto difícil, Rui se transformou em um dos empreendedores mais influentes na área de tecnologia voltada para engenharia no Brasil, superando as dificuldades de sua infância.
O Impacto da Energia Elétrica
Antes de entrar no universo digital, Rui vivenciou a chegada da energia elétrica em sua comunidade, um acontecimento transformador. Ele tinha apenas 10 anos quando assistiu à instalação a partir de um acampamento militar nas proximidades, onde também foi construído um hospital e uma ponte. A experiência de ver um tenente engenheiro explicar a importância da matemática para a construção de uma ponte foi marcante e inspiradora. Isso incentivou Rui a se destacar na disciplina ao longo de sua trajetória escolar.

Desafios da Adolescência e Educação
A família de Rui enfrentou dificuldades financeiras, levando seus pais a venderem suas terras em meio à inflação. Mudaram-se para Itajaí, onde seu pai adquiriu um terreno e construíram uma casa simples. A mãe de Rui costurava para ajudar a sustentar a família, enquanto ele começou a trabalhar aos 13 anos, atuando como office boy e garçom, conciliando trabalho e estudos em uma escola pública.
O dedicação e talento de Rui no futebol gerou uma oportunidade de bolsa de estudos em uma escola tradicional da cidade, onde enfrentou o preconceito por suas origens. No entanto, seu desempenho acadêmico o destacou como um dos melhores alunos da turma, mesmo na disciplina de inglês, que nunca havia estudado formalmente.
A Escolha pela Ciência da Computação
O desejo de Rui era claro: seguir uma carreira na engenharia. Contudo, ao prestar vestibular, escolheu Ciência da Computação pela duração mais curta do curso e pela carga horária reduzida, o que lhe permitia trabalhar. Dentre todos os alunos que pegavam o ônibus, ele foi o único a conseguir uma vaga no curso.
Rui enfrentou os desafios da vida universitária morando em um apartamento com seis colegas e dando aulas de informática em diversos locais, incluindo o SENAC. Estagiou na antiga TELESC, onde aprofundou seu conhecimento sobre tecnologias emergentes.
A Fundação da AltoQi
No final do penúltimo semestre, ao observar um colega engenheiro calculando estruturas manualmente, Rui questionou sobre a existência de software para isso. Ao descobrir que havia, mas era caro e inacessível, decidiu criar um próprio. Com isso, o conceito da AltoQi foi formado.
Inicialmente, a empresa operava de forma modesta, em um apartamento pequeno, e depois em um sótão improvisado. Em 1990, Rui se uniu a dois colegas da universidade, José Carlos Pereira e Ricardo Eberhardt, formalizando a sociedade para desenvolver o software ProViga.
Inovações que Mudaram a Engenharia
O ProViga tinha um enfoque essencial no setor da construção civil, dando início a uma série de softwares como Propilar, ProLaje e ProInfra, permitindo cálculos separados de cada parte de um edifício.
A morte de Ricardo Eberhardt em 1993, que era um dos principais desenvolvedores, quase resultou no fim da empresa, mas Rui decidiu integrar os softwares em um único sistema, numa época em que o Windows começava a se consolidar. Este desafio foi seguido pelo desenvolvimento do software Eberick, um sistema de cálculo estrutural que se tornou referência no país.
O Desenvolvimento do Software Eberick
O Eberick, lançado em 1996, foi inspirado na memória de Ricardo Eberhardt e rapidamente conquistou o mercado, tornando-se um dos softwares de cálculo estrutural mais acessíveis e conhecidos do Brasil. O impacto desse software na construção civil foi significativo, contribuindo para a modernização da área.
Investimentos Estratégicos e Crescimento
Nos anos seguintes, Rui percebeu que as obras estavam sendo realizadas de forma desorganizada, levando ao desenvolvimento do Builder, uma plataforma para gerenciar instalações prediais de forma integrada com conceito BIM (Building Information Modeling). Isso possibilitou um planejamento mais preciso e eficiente na execução de obras.
A Nova Fase da AltoQi
Após a chegada de Felipe Althoff como CEO em 2020, a AltoQi iniciou uma nova estratégia, expandindo seu foco com um ecossistema digital que integra diferentes aspectos da engenharia, como planejamento, orçamentos e gestão de obras. Este novo enfoque trouxe forte adesão entre grandes construtoras e instituições de ensino superior, consolidando a presença da AltoQi no mercado.
A Visão de Rui para o Futuro da Engenharia
Após décadas de trajetória e inovações na engenharia brasileira, Rui Gonçalves continua a contribuir para a construção de um futuro mais eficiente na área. O foco na digitalização, segundo Althoff, é crucial para que o setor se torne competitivo em face dos desafios econômicos contemporâneos. A mensagem é clara: quem não se adaptar corre o risco de se tornar inviável.

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