O que muda ao se tornar diretor, segundo um dos principais headhunters: ‘Você recebe o cargo depois’

Promoção: um passo além do cargo

O avanço para um cargo de diretoria é frequentemente percebido como a culminação de uma trajetória profissional. Com essa promoção, muitos esperam obter maior poder e liberdade, além de exercer influência nas decisões da empresa. No entanto, Joseph Teperman, co-fundador da Amrop Brasil, uma consultoria voltada para a busca de executivos e desenvolvimento de liderança, propõe um entendimento mais abrangente desse processo.

O que significa pensar como um diretor

Para Teperman, a verdadeira essência de assumir uma posição de liderança está em adotar uma visão holística da organização, que vai além da busca por protagonismo. Ele argumenta que tomar decisões eficazes requer uma percepção abrangente da empresa, sua cultura e dinâmica. A promoção a um cargo executivo não deve ser visto apenas como uma atualização de título ou aumento de salário, mas sim como uma mudança significativa na maneira como se decide.

Menos ego, mais visão: a chave da liderança

O foco deve ser no coletivo, e não no individual. A mudança de mentalidade do gerente, que está mais ligado à execução de tarefas e cumprimento de metas, para o diretor, que deve olhar para o futuro da empresa e seu impacto, é crítica. Teperman destaca que a habilidade de compreender e conectar todos os pontos de uma organização é uma habilidade essencial que um diretor deve desenvolver.

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Comportamento antes do título: a prática é essencial

Um aspecto crucial da ascensão à diretoria é a necessidade de demonstrar comportamento digno do cargo antes mesmo de ser nomeado. “Você deve já apresentar as características de um diretor, realizando e agindo como tal”, diz Teperman. Essa prática não significa invadir a esfera de atuação de outros, mas sim adquirir experiência, expandir a visão e demonstrar iniciativa.

Da execução à decisão: a evolução da função

Nas palavras de Teperman, enquanto os gerentes se concentram em cumprir metas estabelecidas dentro de suas áreas, os diretores devem ser capazes de antecipar mudanças e incertezas. Isso implica sair de suas zonas de conforto e pensar de forma estratégica, projetando o futuro da organização em meio a variáveis imprevisíveis.

Gestão de equipes e resultados: novo foco

Enquanto um gerente é avaliado por resultados diretos e métricas de desempenho de sua equipe, um diretor terá que assumir a responsabilidade pelo desempenho geral da organização. A habilidade de liderar, motivar e formar equipes eficazes se torna um diferencial. Teperman enfatiza que a capacidade de fazer com que outros prosperem é crítica para o sucesso de um diretor.

Imprevisibilidade: como lidar com as incertezas

Os altos níveis de incerteza que caracterizam as posições de liderança são um desafio constante. Diretores enfrentam variáveis como mudanças econômicas, alterações no cenário político e pressões de acionistas. Nesse sentido, Teperman define o papel do diretor como um “para-choque” que transforma incertezas em planos de ação. É essencial ajustar os rumos da organização em resposta a estas mudanças constantes.

Inteligência artificial: o futuro da liderança

A influencia da inteligência artificial é inevitável no ambiente corporativo. Teperman ressalta que os profissionais que se dedicam a aprender e a utilizar essas novas tecnologias se colocam à frente no mercado. O foco deve ser mais sobre como adaptar-se e usar a IA a seu favor, ao invés de se preocupar com as mudanças que ela traz.

Crescendo além da zona de conforto

Para aqueles que aspiram a cargos de liderança, a mudança de mentalidade é crucial. O ponto de vista de Teperman destaca que é preferível se preocupar menos e se ocupar mais com o desenvolvimento contínuo. A autodescoberta e a adaptabilidade em um mundo em constante transformação são atributos fundamentais para alcançar o sucesso a longo prazo.

A importância do autoconhecimento na alta gestão

Por último, a alta gestão requer um profundo nível de autoconhecimento. A habilidade de compreender sua própria dinâmica, seus pontos fortes e vulnerabilidades contribui para um estilo de liderança mais eficaz. Teperman conclui que a carreira não é apenas uma sequência de promoções, mas sim uma construção de comportamentos e resultados que levem à visão de futuro que cada profissional deve ter.