A corrida que mudou a Vulcabras: como a dona da Olympikus saiu da dívida e chegou a R$ 4 bilhões

Momento de Crise e Virada

Em 2015, quando Pedro Bartelle tomou as rédeas da Vulcabras, a companhia enfrentava um cenário desolador. Com um passivo que ultrapassava R$ 1,1 bilhão e um histórico de prejuízos, a marca lutava contra a avalanche de produtos importados da Ásia, que tornava a competição no mercado brasileiro severa. No entanto, em apenas onze anos, a trajetória da empresa mudou radicalmente.

A Vulcabras, responsável pelas marcas Olympikus, Mizuno e Under Armour no Brasil, registrou um faturamento de R$ 4,1 bilhões em 2025, mantendo uma impressionante sequência de 23 trimestres de crescimento. A companhia, agora, emprega aproximadamente 24 mil colaboradores e investiu mais de R$ 1 bilhão nos últimos cinco anos em modernização e expansão de suas fábricas, consolidando-se como uma das líderes do segmento esportivo no Brasil.

“Quando assumi, a empresa ainda tinha potencial, mas não estava performando bem. Após um planejamento estruturado, conseguimos dar a volta por cima”, destaca Bartelle, em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME.

Inovações Tecnológicas em Calçados

A transformação da Vulcabras começou antes da chegada de Bartelle à presidência. Entre 2011 e 2014, o executivo menciona uma reestruturação significativa provocada por expectativas de proteção à indústria nacional contra as importações asiáticas, que não se concretizaram. O resultado foi uma pressão crescente para a competitividade no setor. Uma reforma interna se tornou essencial, levando a um enxugamento de operações e à construção de uma nova estratégia de crescimento.

Vulcabras

“A empresa precisava mudar de rumo e foi exatamente isso que fizemos”, diz Bartelle.

Papel do P&D na Transformação

A mudança de posicionamento foi estruturada em um forte investimento em pesquisa e desenvolvimento, particularmente em Parobé, no Rio Grande do Sul, onde está localizado o principal centro de P&D de calçados esportivos da América Latina. Aqui, a Vulcabras focou em se tornar uma especialista em esportes, abandonando categorias menos lucrativas e ampliando seus investimentos em inovação e tecnologia.

“Atualmente, estamos capacitados para criar e desenvolver qualquer tecnologia esportiva existente”, afirma Bartelle.

Estratégia de Crescimento Sustentável

A virada pode ser atribuída à decisão de alinhar a marca Olympikus a uma nova estratégia de marketing focada na corrida, um esporte que ganhou popularidade no Brasil. A equipe foi desafiada: criar um produto técnico capaz de competir no mercado de maratonas. Assim nasceu a linha Corre, desenvolvida em parceria com corredores e especialistas, que rapidamente aumentou o prestígio da marca no setor.

“Se conseguirmos vencer uma maratona com nosso produto, conseguiremos alavancar a imagem da Olympikus”, resume Bartelle.

Competição no Mercado Esportivo

A linha Corre não apenas alterou a percepção do público sobre a marca, mas também ajudou a estabelecer a Olympikus em um nicho dominado por multinacionais. A marca brasileira se tornou uma das preferidas entre os corredores brasileiros. Bartelle evidencia a importância de demonstrar que uma marca nacional pode competir em pé de igualdade com gigantes internacionais.

Impulso da Linha Corre

A inovação e as melhorias contínuas que resultaram da linha Corre culminaram em um novo lançamento, o Corre 6, que deverá chegar ao mercado em 2027. Este projeto é o resultado de estudos e pesquisas que se iniciaram anos antes, sempre buscando atender às expectativas dos atletas.

Reestruturação Organizacional

Para garantir o sucesso desse processo, a Vulcabras também migrou para o Novo Mercado da B3 em 2017. Essa mudança foi significativa, pois trouxe maior transparência e melhores práticas de governança corporativa, aumentando a confiança dos investidores.

Planos de Expansão

Nos últimos anos, a empresa focou também na sua expansão internacional. Após desenvolver a marca no Brasil, Bartelle e sua equipe iniciaram uma operação piloto da Olympikus na Espanha, começando com a comercialização da linha Corre. Os primeiros resultados têm sido positivos, especialmente nas vendas online, indicando uma receptividade promissora do consumidor europeu.

“A ideia é utilizar esses aprendizados para explorar outros mercados no futuro”, ressalta Bartelle.

O Futuro da Vulcabras no Exterior

Os próximos passos incluem a abertura de novas lojas para reforçar o varejo físico e aumentar a presença das marcas da Vulcabras no Brasil. Serão inauguradas duas novas lojas da Under Armour, com o objetivo de proporcionar uma melhor experiência ao cliente e valorizar as marcas. A ambição vai além das fronteiras, com a expectativa de que marcas como a Olympikus sejam reconhecidas globalmente, atingindo novos públicos na Europa e além.

A Origem da Vulcabras

A trajetória da Vulcabras é intrinsecamente ligada à história da família Bartelle, que fundou a empresa em 1952. A companhia sempre teve um forte fundamento no empreendedorismo familiar, tendo evoluído ao longo das décadas. A aquisição da Azaleia em 2007 representou um marco importante, que reforçou a capacidade industrial da Vulcabras e consolidou Parobé como um centro de desenvolvimento crucial.

Recentemente, a empresa consolidou sua estratégia ao concentrar-se no segmento esportivo, deixando de lado categorias menos lucrativas e redirecionando investimentos para inovações voltadas à performance para atletas. Essa movimentação transformou a Vulcabras em um competidor respeitável no cenário global.