Todo CEO deve avaliar a qualidade e diversidade de seu time. O conjunto de escolhas a respeito da equipe reflete que tipo de líder o CEO decidiu ser.
A contribuição de cada membro do time é fundamental. Existe quem acompanha, quem apenas aprova e quem realmente desenvolve, e a presença destes grupos pode impactar as decisões estratégicas.
Estudos mostraram que a efetividade das equipes é muitas vezes superestimada pelos CEOs. Enquanto eles veem suas equipes como eficazes, os integrantes frequentemente apresentam uma visão diferente, evidenciando a necessidade de revisão e melhoria.

A liderança eficaz não reside apenas em uma mesa que concorda rapidamente, mas sim em um ambiente onde o diálogo crítico e a diversidade de opiniões são valorizados.
Os três grupos no time: quem segue, quem aprova e quem desenvolve
Todo CEO precisa revisar a composição do seu time, especialmente aqueles que formam a sua mesa de decisão. É crucial identificar que tipo de contribuição predomina entre os membros. Existem os que seguem, ou seja, são competentes e leais, executando bem as tarefas determinadas. Também há os que aprovam, que tendem a confirmar as ideias do CEO, proporcionando uma falsa sensação de alinhamento. Por fim, estão os que desenvolvem, trazendo novas informações, desafios e perspectivas que muitas vezes custam caro, mas enriquecem a discussão. A pergunta que todo CEO deve fazer é sobre a proporção de cada um desses grupos em sua equipe e o que ele fez para cultivar esse equilíbrio.
A presença do terceiro grupo é fundamental, pois ele não apenas aceita o que é dito, mas provoca uma reflexão e traz dados que podem mudar a visão inicial. Um bom diretor deve ser capaz de seguir e aprovar, mas o problema surge quando a contribuição se limita a essas categorias. Portanto, a pergunta essencial é: qual é o tamanho do grupo que desenvolve? E quanto desse tamanho é responsabilidade do CEO?
A avaliação da efetividade das equipes e a miopia dos CEOs
Existem evidências que sugerem que os CEOs tendem a ter uma visão exageradamente positiva sobre a efetividade de suas equipes. A McKinsey realizou um estudo em 2025 com líderes de 28 grandes empresas e concluiu que os CEOs frequentemente avaliam suas equipes de forma mais otimista do que os membros dessas mesmas equipes. Isso levanta a necessidade de uma autoavaliação crítica por parte dos líderes.
Além disso, uma pesquisa da Bain com cem CEOs em 2026 revelou que menos da metade deles se sente confiante de ter as pessoas certas em seus papéis. Os comportamentos que distinguem o grupo que desenvolve são escassos, como senso de propriedade, curiosidade e disposição para assumir riscos. Portanto, cabe ao CEO aumentar a qualidade das pessoas ao seu redor, o que pode significar a necessidade de desenvolver colaboradores, redefinir suas funções ou até trazer novos talentos de fora.
Essa avaliação não deve ser ignorada, pois protelar decisões pode proteger relações confortáveis, mas prejudicar a adaptabilidade e o crescimento organizacional.
A importância da contestação e do debate dentro da liderança
Teoricamente, a presença de um ambiente de debate e contestação é essencial para uma liderança eficaz. Muitas vezes, os CEOs se veem como indispensáveis, aparecendo apenas em situações problemáticas, enquanto o ideal seria cultivar um time que não precise esperar por suas decisões. Essa dinâmica é bem ilustrada pelo conceito do gestor Zorro, que surge apenas em momentos críticos, mas não promove a autonomia do grupo.
Os líderes devem se espelhar em atitudes que fomentem uma cultura onde a contestação é não apenas aceitável, mas encorajada. Quando um membro do time consegue mudar sua opinião com dados concretos, isso deve ser valorizado. A pergunta que todo CEO deve fazer nesse contexto é: como a sua equipe reage a esse tipo de contestação?
A responsabilidade de executar as decisões deve ser compartilhada entre todos os diretores, que igualmente devem arcar com os resultados, e não apenas aguardar que o CEO resolva as questões. Essa distribuição de responsabilidades é o que diferencia os que apenas opinam daqueles que realmente compartilham o desafio de liderar.

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