A inteligência artificial está moldando o próximo ciclo de crescimento global, exigindo que o Brasil tome decisões estratégicas.
O FMI estima que o crescimento mundial será de 3,1% em 2026, enquanto o Brasil poderá crescer 2,2% no mesmo ano.
Apesar de ter recursos e um mercado interno robusto, Brasil ocupa o 53º lugar no Global Innovation Index 2026, refletindo desafios em inovação.

A transformação tecnológica e a integração da IA tornam urgente a capacidade do país de se destacar no cenário econômico global.
Os desafios do Brasil para ganhar competitividade e produtividade
O Brasil possui diversos ativos que não devem ser subestimados, incluindo um mercado interno vasto e uma base industrial diversificada. No entanto, transformar essas vantagens em competitividade tem se mostrado um desafio. De acordo com o Global Innovation Index 2026, o país ocupa a 53ª posição entre 139 economias, destacando-se como a única na América Latina com desempenho em inovação acima do esperado para seu nível de desenvolvimento.
Enquanto o Brasil é a oitava economia em termos de mercado doméstico, ainda fica atrás em indicadores cruciais, como 94º lugar em crescimento de produtividade do trabalho e 129º lugar em ambiente de negócios. Isso indica que a dificuldade não reside apenas na falta de conhecimento ou de iniciativas inovadoras, mas na capacidade de articular essas competências em uma escala que produza ganhos consistentes.
A importância da inovação na estratégia econômica
É essencial que a inovação se torne parte integrante da estratégia econômica brasileira, uma vez que, historicamente, ela foi tratada como uma agenda separada de ciência e tecnologia. Inovação precisa agora ser vista como um elemento central tanto por parte do governo quanto do setor privado. A adoção de novas tecnologias, como a inteligência artificial, não deve ser vista apenas como uma iniciativa isolada, mas sim como fundamental para aumentar a eficiência e, consequentemente, a competitividade.
Entretanto, a transformação tecnológica não solucionará problemas macroeconômicos como altos juros e insegurança jurídica. É necessário, portanto, implementar uma estratégia que permita aumentar a produtividade e a capacidade de crescimento do país de forma sustentável, conectando inovação e competitividade de maneira mais eficaz.
A incorporação da inteligência artificial nas empresas
Os líderes empresariais precisam repensar o uso da inteligência artificial em suas estratégias. Esta tecnologia não deve ser considerada apenas uma nova ferramenta, mas deve ser integrada nas decisões sobre eficiência operacional, desenvolvimento de produtos e gestão de riscos. O foco deve estar em identificar quais iniciativas em inteligência artificial efetivamente impactam os resultados do negócio e como essas tecnologias podem melhorar as margens e reduzir custos.
Além disso, a inovação aberta, que envolve colaborações entre grandes empresas e startups, é um caminho importante. O valor não está apenas nas conexões feitas, mas na capacidade de transformar essas relações em resultados práticos, como novos contratos e ganhos de produtividade.
O papel das deep techs e tecnologia própria
O Brasil deve também direcionar sua atenção para o desenvolvimento de suas próprias tecnologias, especialmente em áreas emergentes como a biotecnologia e a computação quântica. Segundo o Global Innovation Index 2026, há uma crescente quantidade de startups de deep tech sendo criadas globalmente, mostrando que o foco da inovação não está restrito a software, mas se expande para tecnologias avançadas que podem impulsionar a economia brasileira.
Explorar as oportunidades em minerais críticos, como lítio e nióbio, pode colocar o Brasil em uma posição vantajosa nas cadeias produtivas globais, desde que se domine a tecnologia necessária para agregar valor a esses recursos.
Financiamento à inovação e articulação institucional
Para que o Brasil alcance seus objetivos de inovação, é indispensável um sistema de financiamento mais articulado. Organizações como BNDES, Finep e Embrapii têm papéis fundamentais, mas seu potencial precisa ser maximizad o. É crítico que as instâncias de financiamento se complementem de maneira a facilitar a transição dos projetos desde a pesquisa até a implementação comercial.
A busca por inovações não deve concentrar apenas na ampliação de recursos, mas na articulação eficaz entre os mecanismos existentes, que podem aumentar o fluxo de capital privado em projetos inovadores e transformar a realidade tecnológica do país.

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