Cultura não é um tema de RH, diz Beatriz Alli do Machado Meyer

Beatriz Alli, CHRO do Machado Meyer, compartilha decisões cruciais em sua trajetória e a importância da cultura no ambiente corporativo.

O desafio de conciliar vida pessoal e carreira

Beatriz Alli, diretora de RH do Machado Meyer, enfrentou um momento decisivo em sua carreira pouco antes de ingressar na empresa, em 2019. Ela estava grávida, tinha uma filha de três anos e sua mãe estava muito doente. Essa fase desafiadora exigiu que ela tomasse uma decisão que a ajudaria a equilibrar suas responsabilidades profissionais e pessoais. Beatriz coordenou sua saída da Dock, onde era diretora de Recursos Humanos, em conjunto com o CEO da empresa, possibilitando que ela se dedicasse à sua família.

Cultura organizacional como ativo estratégico

Atualmente, Beatriz é uma defensora da cultura organizacional como um ativo estratégico para as empresas. Segundo ela, essa cultura é crucial para influenciar a execução, retenção de talentos, inovação e desempenho. Sua visão de que “cultura não é um tema de RH” destaca a importância de tratá-la como parte fundamental do planejamento estratégico da organização. No Machado Meyer, por exemplo, Beatriz lidera as discussões sobre o planejamento sucessório dos sócios, visando antecipar e planejar o futuro da empresa de forma integrada.

cultura organizacional

Um dos principais desafios neste planejamento é a resistência em abordar a sucessão com a devida antecedência. Beatriz sublinha a importância de incluir essas conversas na agenda estratégica antes que se tornem uma necessidade urgente, ressaltando que não se trata apenas de substituir pessoas, mas de garantir a continuidade e o desenvolvimento saudável da cultura organizacional.

Planejamento sucessório no Machado Meyer

Desde que chegou ao Machado Meyer, Beatriz tem se empenhado em estabelecer uma estratégia robusta de sucessão, que combina indicadores de negócio e a visão do mercado. A empresa, que é a única firma de advocacia na América Latina certificada como Top Employer pelo quarto ano consecutivo, busca garantir a sustentabilidade e o crescimento através de uma gestão eficaz da cultura organizacional. Essa abordagem envolve considerar todos os aspectos relevantes da empresa e não apenas questões imediatas, promovendo um alinhamento entre a visão estratégica e a prática diária.

Ademais, Beatriz argumenta que o sucesso dessa estratégia depende da aplicação de metodologias modernas, como a adoção de inteligência artificial. O escritório está desenvolvendo iniciativas que reconhecerão talentos que aplicarem soluções de IA diretamente ligadas a objetivos de negócio, permitindo a teste de novos modelos com uma governança adequada, característica essencial para a boa gestão de uma organização.

Preparação para o conselho de administração

Beatriz também dedicou tempo e esforço para se preparar para seu futuro papel no conselho do Instituto Machado Meyer, onde assumirá um assento em 2024. Ela cursou o ABP-W (Programa Avançado de Salas de Conselho para Mulheres) para entender quais competências seriam necessárias para atuar efetivamente nesse espaço. O programa, que foca em governança e estratégia, proporcionou a Beatriz a formação necessária para fazer perguntas pertinentes e avaliar as competências disponíveis à mesa, facilitando decisões mais robustas e informadas.

Por meio de sua experiência e do aprendizado constante, Beatriz busca não apenas ampliar seu conhecimento, mas também contribuir de forma significativa para a estrutura de governança do instituto, sempre promovendo que aspectos da cultura organizacional sejam considerados nas tomadas de decisão.